Mulheres na TI buscam por mais espaço e representatividade na área

A área de tecnologia da informação é uma das mais desiguais do mercado de trabalho no mundo todo. Historicamente dominada por homens, as mulheres na TI que tentam conquistar espaço profissional têm que lidar com problemas como diferença salarial, preconceito de gênero, preconceito racial, entre outras questões. 

Quando falamos em tecnologia logo pensamos em personalidades como Steve Jobs, Mark Zuckerberg, Elon Musk e outros homens que fizeram e fazem história na área. Mas as mulheres na TI, mesmo em minoria, contribuem para o avanço de novas tecnologias e descobertas impressionantes e históricas como você verá ao longo deste artigo. 

Se sua contribuição é tão relevante e fundamental para a tecnologia da informação, por que ainda temos poucas mulheres na TI e quais atitudes tomar para mudar essa realidade? 

O cenário atual das mulheres na TI 

De todos os profissionais de tecnologia da informação que existem no Brasil apenas 20% são mulheres sendo que a participação feminina não existe em 21% das equipes de tecnologia do país, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia e Comunicação (Brasscom).

A falta de mulheres na TI traz consequências que vão muito além da participação feminina na área: mesmo quando as mulheres conseguem ocupar cargos no mercado de tecnologia da informação, o salário pago a elas é 30% mais baixo do que o valor pago aos homens, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O problema é ainda maior quando falamos de representatividade racial já que mais de 32% das equipes de tecnologia brasileiras não possuem um negro sequer no time, segundo pesquisa Quem Coda o Brasil? realizada pela PretaLab em parceria com ThoughtWorks. 

Por que as mulheres são minorias no mercado de TI? 

Em um mercado dominado por homens, a discriminação de gênero é realidade para muitas mulheres que trabalham com tecnologia. Foto: Nappy

O principal problema que envolve a falta de mulheres na TI está em questões culturais. 

Historicamente, nunca foi ensinado nem estimulado que mulheres sigam carreira na área de exatas já que essa é uma “tarefa para homens”. As mulheres “combinam” mais com a área de humanas exercendo trabalhos mais “delicados”. 

Essa premissa não faz o menor sentido, mas foi cultivada e passada de geração para geração até chegar no problema que temos hoje: a falta de mulheres na TI. 

E quando as mulheres quebram essas barreiras e lutam por espaço na área de tecnologia da informação, os problemas passam a ser outros: a discriminação de gênero fica cada vez mais evidente. 

Se temos poucas mulheres na TI isso significa que temos mais homens em cargos de liderança confiando em mais homens para dar conta do trabalho. Assim, o trabalho feminino na TI vai para escanteio por conta, novamente, de problemas culturais ultrapassados e preconceitos do tipo “Ela não dá conta do recado”, “É muita coisa para ela”, “Melhor deixar isso para quem entende do assunto”. 

Demanda por profissionais é alternativa para mulheres ganharem espaço na área de tecnologia 

Mesmo ainda existindo um abismo entre homens e mulheres na TI, nem tudo está perdido e o cenário atual mostra sinais de melhora. 

Por incrível que pareça, a América Latina tem mais mulheres em cargos de liderança na TI do que em países que apostam na diversidade como Reino Unido, por exemplo. Segundo pesquisa, 16% das mulheres latino-americanas da área de TI ocupam cargos seniores, enquanto no Reino Unido esse número é de 4%. 

A alta demanda por profissionais da área pode ser a solução que faltava para aumentar a presença de mulheres na TI: durante a pandemia, o setor registrou aumento de 1,18% das vagas de trabalho. 

Estamos falando de um dos setores que mais cresce no Brasil e, mesmo assim, ainda faltam profissionais qualificados para atuar no mercado. Para muitas mulheres essa é a oportunidade ideal para pleitear por uma vaga e fazer a diferença. 

Para fazer com que isso aconteça, muitas iniciativas surgiram com o objetivo de formar desenvolvedoras e inserir cada vez mais mulheres na TI. Confira: 

PyLadies 

Comunidade mundial que promove a participação feminina na área de TI. 

R-Ladies 

Organização global que promove a diversidade de gênero na linguagem de programação R. 

Women Who Code 

Organização global sem fins lucrativos que oferece serviços educacionais para mulheres em carreiras de tecnologia; e consultoria para empresas que querem contratar, promover e reter talentos femininos em TI. 

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Mulheres na TI que fizeram história 

Mesmo em minoria, a contribuição das mulheres para a tecnologia é inestimável. Foto: Nappy

Ada Lovelace 

Matemática e escritora inglesa, Ada criou o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina. E tudo isso no século XIX!

Você deve estar pensando que ela foi a primeira mulher a realizar esse feito, mas na verdade foi a primeira programadora de todos os tempos já que ninguém havia escrito um código antes dela. 

Mary Kenneth Keller 

Mais conhecida como Irmã Mary Keller, a freira estudou matemática e programação, e seu doutorado abordava interferências indutivas geradas em padrões de computador. 

O foco de sua tese tinha a linguagem FORTRAN como base, utilizada até hoje, mas em versões atuais. 

Irmã Mary estava tão à frente de seu tempo que foi aceita na Fundação de Ciências Naturais da Universidade de Darthmouth (EUA), exclusiva para homens. 

Lá, ela participou da Darthmouth Time Sharing System (DTSS) que permite que vários programadores trabalhem ao mesmo tempo, além de ajudar a desenvolver a linguagem de programação BASIC, linguagem de alto nível criada exclusivamente para esse projeto. 

Além disso, a cientista acreditava que o uso de computadores poderia ajudar a melhorar a educação como um todo, tudo isso sem antes imaginar a diferença que os computadores e a tecnologia fariam em nossas vidas.  

Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson 

Você pode não reconhecer o nome dessas três cientistas, mas provavelmente conheceu suas histórias através do filme Estrelas Além do Tempo

Essas três cientistas da NASA foram fundamentais no projeto que colocou o primeiro americano no espaço: Katherine Johnson fez os cálculos de reentrada da cápsula espacial na Terra; Dorothy Vaughan foi uma das únicas supervisoras negras da agência; e Mary Jackson foi a primeira engenheira negra da NASA. 

Vale lembrar que todo o trabalho que elas e muitas outras mulheres na TI realizaram era todo feito sem a ajuda de computadores e de outras tecnologias que utilizamos hoje. 

Katie Bouman 

Pesquisadora assistente de Ciências da Computação no Instituto de Tecnologia da California, Bouman foi responsável por criar o algoritmo capaz de decifrar milhares de dados astronômicos para formar a primeira imagem de um buraco negro (divulgada em 10 de abril de 2019). 

Até então, os cientistas imaginavam como seria de fato um buraco negro, mas não faziam ideia de que a imagem real seria tão parecida com suas suspeitas. 

Por isso, o trabalho de Bouman é decisivo para ajudar a compreender um dos maiores mistérios do espaço. 

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